Moro aceita denuncia contra Palocci e ele se torna réu da Lava Jato

Sérgio Moro aceita denúncia do Ministério Publico contra ex-ministro Palocci, ele  se torna o mais novo réu da Lava Jato, incluindo o empreiteiro Marcelo Odebrecht além de mais outros 14 investigados.

Sérgio Moro, , juiz federal responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, aceitou nesta quinta-feira (3) uma denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-ministro Antonio Palocci.
A partir de gora ele se torna réu numa ação que envolve os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Palocci está preso preventivamente em Curitiba desde 26 de setembro de 2016, acusado de receber propina do grupo Odebrecht. Em troca, teria agido em favor da construtora em diversos projetos controlados pelo governo federal, incluindo a contratação de sondas para exploração do pré-sal pela Petrobras.

Segundo mostram planilhas apreendidas durantes as investigações, o ex-ministro teria solicitado e coordenado o pagamento de 128 milhões de reais pela empresa. Os documentos também apontam que a empreiteira mantinha uma “conta-corrente de propina” com o PT, que seria gerida por Palocci.

Os investigadores acreditam que o codinome “Italiano”, visto nessas planilhas, seja em referência ao ex-ministro. “Há razões fundadas para identificar Antonio Palocci Filho como a pessoa identificada pelo codinome ‘Italiano’ no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht”, diz Moro no despacho.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) destacaram que Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa, “era o principal ator corruptor nos fatos ora investigados, tendo mantido incessante contato com Antonio Palocci Filho, de 2003 a 2015”, afirmaram os investigadores.

Outros 14 acusados também viram réus

Moro aceita denúncia nesta quinta-feira e envolve ainda outras 14 pessoas, incluindo nomes que já respondem a outras ações penais na Lava Jato, como o próprio empresário Marcelo Odebrecht, o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, o ex-gerente da Área Internacional da estatal Eduardo Musa, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o publicitário João Santana.

No despacho, Moro ordenou que os réus sejam intimados com urgência, dando um prazo de 10 dias para as respostas de defesa. Ele não se manifestou sobre o pedido do MPF para que fossem bloqueados cerca de 284,6 milhões de reais das contas de todos os acusados, referentes ao pagamento de propinas e às operações de lavagem de dinheiro apuradas na investigação.

Palocci – que foi ministro da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e da Fazenda durante o governo Lula – foi preso durante a 35ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada no fim de setembro.

O indiciamento do político, sob a suspeita de relação criminosa com a construtora Odebrecht, foi realizado pela Polícia Federal no dia 24 de outubro, envolvendo a princípio seis pessoas. Quatro dias mais tarde, o MPF ofereceu denúncia à Justiça Federal, acrescentando nove acusados ao processo.

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